sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Battlefield

Through the foggy field
battles never met their end
Desire 
almost took me it all
or was it just your smile?
or was it just your eyes?

A swordsman without a clue
quiet behind the tree
never had a place to find
or was it just your smile?
Perhaps because you're kind.

a big hill one must climb
if one wants to be seen
And build a home free from the lies
To share a bond beyond the mind.
Let your eyes meet mine.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Navegar

Vou de novo a navegar
sigo livre, sigo leve
me veem de longe e não enxergam
que sigo livre, sigo leve
no mar alto das paixões
que é o encontro do teu cais
tu vens livre, tu vens leve
na marola bela e definitiva
vou de novo a navegar
te encontrar no céu te encontrar no mar
te ver em lua e minguar
te ver em nova e cantar
que o toque é doce apesar
pois sigo livre, sigo leve
nunca deixei de te navegar
vou de novo a me amar.

domingo, 28 de outubro de 2018

Ninguém solta!

A gente que divergiu...
A gente se divertiu ao discutir o mundo!
Ao discutir a vida, a filosofar a lida
A gente se curtiu

Desafiando as idas
Buscando as vindas!

A gente que concordou
A gente que amou e depois correu
Primeiro sofremos, depois renascemos
a gente melhorou
Surgimos incandescentes
nessa onda crescente!

A gente ta junto!
A gente ta longe e ta perto!
A gente ta de mãos dadas!
A gente sabe amar e a gente vai se erguer!
Ninguém fica pra trás, toda vida vale!
Ninguém sai do vale pra morrer no beco!
Ninguém volta pro toco pra viver o maltrato!
Ninguém volta pra pia só pra servir sua cria!

O amor é maior e eu posso ver
que nos mais tardar
vamos amanhecer
calejados e livres
da minha mão não solto ninguém
nem que me façam refém
pois a nossa luta
ah, a nossa labuta!
Ela nos faz crescer!
Amém.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Par Perfeito


Alinhe-se em mim. Na hora certa. No momento certo.
Peixes que buscam o solo.
Virgens que querem o mar.
Encoste teu ciclo no meu pomar.
Perceba as nuances e fases da lua.
Seja pelo sol e evidencie-se na rua.
Vem pegar seu sonho e me dê seu chão.
Somos par perfeito modestos e direitos.
Trace suas retas nas minhas escamas,
Organize seus desejos por ordem de chegada.
Não existe outra estrada.
A não ser isso vivermos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Duas amêndoas sorrateiras indo de encontro à minha escuridão.

Te descobri por acaso, com seus olhos me sugando
Devolvi com o mistério que transpassa os meus.
Descobri, então, seus traços tesos e perfeitos.

Erguendo-se como um escorpião em posição de ataque.

Este tem sido, desde então, nosso segredinho.
Você no silêncio, deixando suas amêndoas,
Brilhando pela estreita fresta,
Chegarem à minha escuridão.

Deitou seu olhar no meu olhar,
Deixou suas amêndoas se recordarem
De que jamais houve curiosidade maior
Do que descobrir a profundidade de meu coração.

Este tem sido o nosso joguinho rápido,

Quem desvia antes se entrega primeiro.
Porque que é urgente esse anseio,
E é passada a hora de saciá-lo.


Ora, ficar suspenso no ar
Uma hora vai nos cansar.
Logo nos levará à permuta:

Curvas por retas, linhas por gotas, pelos com feitos.

Quero vê-las no escuro e apreciá-las de perto
As amêndoas devem se entregar quando estão sozinhas.
Quero te trazer pra perto para evocar teus cheiros,

Mensurar suas dimensões.
Caçar-te e ser caçado por ti.
Correr em círculos, repetir fórmulas, dizer como se faz.
Parar de me perguntar
Que busca é essa que te trouxe aqui?

E, por fim, sorrateiro e me vendo de cima
Quero que confirme o que sabemos.
Que foi bem feito.
E que já passou.
E terá ficado no segredo.

Até o dia em que, em algum lugar pela rua,
Seus olhos de amêndoas sorrateiras forem de encontro à escuridão de meus olhos de novo.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Medo I

O prelúdio vem sido escrito há anos.
Previ a chegada ao precipício.
A brisa leve levantando os cabelos, era, na verdade,
Tormenta.
Foi quando a porta, que não foi aberta,
Estourou os tímpanos ao fechar violentamente.
Nessa hora, eu previ.
Ah, o amor que não vingou,
Aquele amor da janela do apartamento
Cuja vista era de um cenário de curta-metragem,
Nessa hora, eu previ.
Quando eu já não soube mais cantar.
Quando eu já não soube mais escrever.
Nessa hora, já estava no pescoço de areia movediça.
Não precisava mais prever.
O inevitável encontro final com o medo.
Vou falar sobre ele.
Sorrateiro, vingativo, impetuoso,
Prevalecendo-se da minha alegria.
Escondendo-se na bochecha com a risada mais bem paga.
Felicidade diluída no fundo do copo.
Não sabia que suas calmarias eram tentáculos
Impedindo a água de passar.
Quando a barreira deveria ter sido exposta
Pra deixar a água jorrar.
O medo veio com a água que não jorrou.
Com a água que é vida.
E que não proliferou.
Se eu pudesse dizer uma coisa
Eu diria:

Socorro.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cru

Pele
Fina e delicada
Dura e escamosa
Irrompe de ti vermelhos vasos
Canais frágeis
De nossa pequinez.
A nudez por baixo dos panos
Por baixo dos poros
A fragilidade que ela expõe
Um pedaço grosseiro de carne
Sem romances ou pausas
Sem lágrimas ou mágoas
Somente carne e canais vermelhos e frágeis.
Quando vejo tua face em foto
Quando vejo tua face viva
Sinto amor. Sinto rancor. Sinto muito mais do que consigo nomear.
Ora, quando vejo sua pele por baixo
Quando vejo a fragilidade dos ossos quebrados
Dos olhos fundos
E se sua respiração indica o abismo
Não te vejo mais.
Não te sofro mais.
Desconheço-te.
Desconheço pedaços incompletos e desconexos.
Ouço teu eco, embora não possa mais senti-la.
Volte a si, sare!
Para que eu possa tê-la de volta, e não apenas o casulo
Envolto de pele
Que chamamos de corpo.

Mente
Tudo que sou, já fui
Tudo que fui, não é
E o que serei,
Ai de mim, o que seria?
Se não houvesse guardado
Nos recôncavos mais esquecidos
Nas reentrâncias mais pertinentes
Não haveria um eu para me ser.
Meu corpo escorre memória.
Se abres meu corpo, não podes ver.
Mas se tens a coragem de me ler
De entrar em meus olhos e perceber
Verás que tudo que sou, já fui.
Tudo que fui, não é e o que eu serei...
Ah, mas, disso nunca se sabe.
Se existe alma, lá estaria?
No labirinto sinuoso da minha inteligência?
Pois é lá que se descobre o amor
Lá se descobre quem sou.
Existo lá, porque há um lugar para me caber.
E se me não me falha a memória,
Já me amei antes, não é?
Minha consciência determina.
Meu ser se ajusta.
Existo, pois sei. Pois acredito.
Durmo com medo de perder o domínio
Da faculdade do pensar.
Pois, sem saber que estou aqui,
Já não existo mais.

Coração
Desabo em mim mesmo, oh graça de ser quem sou
Choro e rio
Canto e espreguiço
Me contento de sorrir
Me alimento de viver
Me contamino de amar
Mas também
Reluto em aceitar
Aceito desistir
Começo a pensar
Que meu coração só bate as horas.
Na quina da garganta.
Que só bate os compassos errados
Na bolota entupida.
Só há sentido em ser se há sentimento vindo.
Sentimento passando.
Sentimento correndo.
Meu olhar, porta dos meus segredos da consciência
Meu crânio, obra da evolução, caixa de segredos e protetora
Meu olhar... ah, meu olhar.
Ele me entrega quando te vê.
Tudo em mim se dilata.
O mundo todo se dilata.
E eu só quero sentir, sem nada mais ver.
E tudo explodir, sem nada mais querer.
Mas o coração
Músculo indiscreto e presunçoso
Oras, quem mandou me trair?
Ou foi minha mente? Ou não há explicação?

Alma
Se puderes, me toque aqui.
Se puderes, me ame aqui.
Pois há um eu incorpóreo que percorre o éter
E que se vê num palco
Se vê num lance de escadas
Se vê num parapeito, pronto a pular sem proteção.
E grita loucamente pra ser amado e tocado aqui.
Há algo que independe de mim.
Há algo que sobrevive sem meu querer.
E que reluta e que compõe.
E que escreve.
Que me resume bem.
Não em palavras.
Mas em cores,
Talvez acordes,
Certeza que tem risadas e lágrimas.
Há um eu incorpóreo que independe de mim e paira suavemente pelo éter.
E que sou eu no mais puro estado.
Veja no espelho, de olhos fechados,
Ouça no travesseiro o seu eu de boca muda.
Ouça no silêncio o que ele diz.
E, sim, saberás sobre teu eu incorpóreo que independe de ti e paira suavemente pelo éter.
Eu, vagabundo que sou,
Sei bem pouco. Sei só que
Mente, coração e pele.
Preciso deles para domá-lo.
E, não, simplesmente,

Sumir.