domingo, 17 de maio de 2026

Pressa

Ando com tanta pressa
E com tanta urgência
Que qualquer hora dessas
Vou passar correndo
E me deixar pra trás.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Quase samba

Como pode
A terra insalubre e quase morta
Ainda germinar poesia?

Como pode o mar seco de alma
Trazer a calma
E não ondular?

Como pode o corpo roto
Mendigante sujo e quase morto
Ainda se desdobrar em música?

Quase perto da morte
Faço um samba
Para desenrolar a sorte.
Só não danço mais porque já quase fui.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Ponto.

Com este recado
Encerro meu ofício
O último ato desse roteiro.
Finalizo meu legado
Entrego meus lápis
E deserdo um país inteiro.
Chapinhei demais nesse lamaçal
Ledo desvio de quem se enganou
E, por fim, afundou.
Não escrevo mais, isso acabou.
Encaixoto as rimas mais frágeis
E as arremesso do desfiladeiro
Uma vez que sem musa
Ou interlocutor
Desapareço.
Havia mais a discorrer sobre nós
Um sovina e o outro, algoz
Quem afugenta não sabe adorar.
Nem sei mais amar.
Feito um show derradeiro
Que já presumia fim ainda no ventre
E a mórbida constatada piada
De crer que seria pra sempre
.