segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Performance

Performas para que te amem.
Vais à boca de cena linda como te vestem
E te faz princesa ou mesmo um herói
De espada tesa e com excesso de coragem
Pra que te amem inteira
E cada pedaço teu que entregas sob o holofote.
Assim crês que te amarão pra sempre ali.

Quando na verdade
É na coxia que sucumbem ao teu brilho.
É na crua cruel e crível realidade absoluta 
Que enxergam tua beleza e teu riso.

Você espera que te amem pelo o que você faz
Sabe Deus
Vão te amar pelo sei-la-o-quê.
O amor é uma rubrica.
Um subtexto que você nem sabia que existia.
Deixe que te vejam, Julieta sem solilóquio.
Já que estamos loucos
Deixe que te amem aos poucos.
Teu verdadeiro eu.

domingo, 17 de maio de 2026

Pressa

Ando com tanta pressa
E com tanta urgência
Que qualquer hora dessas
Vou passar correndo
E me deixar pra trás.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Quase samba

Como pode
A terra insalubre e quase morta
Ainda germinar poesia?

Como pode o mar seco de alma
Trazer a calma
E não ondular?

Como pode o corpo roto
Mendigante sujo e quase morto
Ainda se desdobrar em música?

Quase perto da morte
Faço um samba
Para desenrolar a sorte.
Só não danço mais porque já quase fui.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Ponto.

Com este recado
Encerro meu ofício
O último ato desse roteiro.
Finalizo meu legado
Entrego meus lápis
E deserdo um país inteiro.
Chapinhei demais nesse lamaçal
Ledo desvio de quem se enganou
E, por fim, afundou.
Não escrevo mais, isso acabou.
Encaixoto as rimas mais frágeis
E as arremesso do desfiladeiro
Uma vez que sem musa
Ou interlocutor
Desapareço.
Havia mais a discorrer sobre nós
Um sovina e o outro, algoz
Quem afugenta não sabe adorar.
Nem sei mais amar.
Feito um show derradeiro
Que já presumia fim ainda no ventre
E a mórbida constatada piada
De crer que seria pra sempre
.