sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Lua em Peixes

Todo devoto ao seu encanto
como o pirilampo cercando a luz
ser entregue ao lamento
de quem ama tanto
que se derrama em cada canto.

Deseja tudo e entrega o mundo
faz do seu objeto a sua vida
para, não pisca, está se arruinando
fazendo-se em pó
e perdendo-se em nós.

Dedicação do mar à lua
espaço pequeno para caber por inteiro
aproveite agora, parta do zero
pois, assim como inicia fácil
se desfaz por completo
noutro breve piscar de olhos
ou num novo poço de sonhos.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Colecionador

Que incômodo essas tripas!
Quem me dera, por fim, arrancá-las
uma por uma até que não sobre nada.
De quebra, chega dessa pele
desse excesso de toques
de maneira mais nobre
quero tirar essa derme primeira roupa.
Uma vez, assim, pois rasgo de mim
também meu pulmão e meu estômago
que comem e respiram a mesma coisa
que não conseguem nem mesmo
segurar suas forças.
Jogo tudo no lixo, não me servem
nem mesmo esses dentes caríssimos
essas unhas bem-feitas
olhos que só veem o que querem
e uma boca que não fala o que deve.
Já meu cérebro, pode ser que melhor seja o chão
a rua, o quintal, a terra ou o vão
jogue-o aos bichos se por ventura puder.
Não quero ter que pensar outra vez.
Mas meu coração, querido,
Esse, não.
Esse você guarde.
Pode ser que você volte a precisar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Pedestal

Essa minha pele veste tão bem
os afetos vaidosos de meu amor
Alto e elevado, leve, doce e sublimado
Quem é o rei e que roupa ele veste?
Sentado em seu trono, erguendo seu cetro
Bobo da corte sem derme e sem rosto
faz graça e lambe seu chão
e por onde passa é lá que ele se faz monarca
Dono de tudo e de todos que se adiantaram.
Essa minha pele gasta não veste mais meu rei
meu sol, meu sul, minha estrela azul
Descarta o robe que carrega minha carne
E o esquece sob o sol e que tudo se lasque!
O trabalho já está feito.
Meu rei jamais desceria de seu pedestal.

Após o Carrossel

E agora?
Luzes acesas, sem mais aplauso
O que faço eu agora jogado ao acaso?
Medo e silêncio,
Gelo e distância,
Me antecipei e na covardia e na ânsia
desfiz todo meu rosto
todo meu corpo
todo meu ser.

E agora que não posso mais querer?
Nenhuma música virando poesia
Nenhuma nota coroando a estripulia
Fogo e saudade,
Peito aberto sem piedade.

E agora que o caminho de se perder é
o mesmo que me trouxe aqui
sem feito sem afeto sem eu mesmo sem teto.
e agora, faço o que de mim?

terça-feira, 11 de junho de 2024

Carinho

Me abrace todo dia
Deixe escapar um beijo no meu rosto.
Às vezes, pouse sua mão sobre a minha
e a deixe lá.
Quero teu carinho.
Coloque sua mão sobre minha perna
deite sua cabeça no meu ombro.
Não precisa dizer nada.
Apenas sinta que eu e você
Trocamos carinho
Aproxime teu corpo do meu
E deixe que o amor fale mais alto.

domingo, 19 de maio de 2024

Centuries

I know your hand from all the times
They rested over mine.
I draw your shoulders
because I know their shape from all the tears
I poured on them long before here.

Your eyes seek mine but not me
they seek the one I've been before this
Before this old body and aching soul
From a time when we were whole.

We got lost in translation.
Have we said in a minute or so?
It took you too long to show up around here
Now there's no plan nor hope to see.

And yet your hands feel the same
as the ones I touched lives ago
even the shape of your shoulders feels familiar
'cause I lay on them when I was in fear.

You remind me of one every day
I'm an old valentine whom you don't recall
It feels like a dream we can't quite reach
and from which we can't flee,

It's a chasing we perform endlessly
As if we weren't meant to be
a love crossing the centuries but that can never stick
and yet we keep bumping into each other
there's always a corner
where I know I'll meet your soul again.
Until when?

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Fico aqui

Já te vi antes, estranho mutante
que nada tem de errante
que sabe bem o que está fazendo.

Dessa vez, não posso te esquecer de novo
Não posso lutar contra você eternamente
Tampouco posso me render
Isso seria demais. Muito indulgente.

Então eu peço, que
dessa única vez
Seja você a partir. E não eu.
Eu gosto de onde estou. E tenho gostado de quem sou.
Não posso me dar ao luxo de pegar a estrada outra vez
a longa rodovia onde adormeço fácil e rápido
e tomar outro caminho confuso e trépido,
Só porque não consigo lidar com o que sinto tampouco com o que temo
Temo querer aquilo que não tenho
E nem devo querer
Mas dessa vez não quero correr.
Quero ficar.
Você que vá!

Por favor?