Que o
escuro é meu lar
E o mar é
meu forte
Isso eu já
sei.
Um nome de
Marte,
Que vem da
guerra sem sorte,
Espada de
fogo apagada
É só uma
espada.
No fundo do oceano me deito
Envolto em lençóis
de areia
E as pérolas
raras em volta.
O fundo
imenso do vale
Vale mais
do que toda a terra.
Meu nome
não é mais guerra.
Que o
escuro é meu lar
E o mar é meu forte
Isso eu já
sei.
quarta-feira, 22 de julho de 2020
Oceano
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
Felizes para sempre
Eles viveram felizes para sempre.
É engraçado, porque essa medida é finita.
Uma vez que a eternidade não se mede.
É engraçado, porque essa medida é finita.
Uma vez que a eternidade não se mede.
É só uma metáfora romântica para tudo que morre.
O fato é que tudo se transforma.
A vida se transforma. A natureza muda.
Nada permanece sendo o que era no início.
O romantismo existe porque não conseguimos lidar com o fim.
Não conseguimos lidar com a morte das coisas.
O luto. A perda. O fim.
Tudo se transforma.
Eu já tive meu felizes para sempre.
Isso já está riscado da minha lista.
Isso já está riscado da minha lista.
Agora, o ponteiro está apontando para outra direção.
Conseguir outras coisas que estavam no desejo.
Não há outra felicidade romântica por vir.
O felizes para sempre já aconteceu.
E, como é da natureza, acabou.
Agora, é o que vem depois.
Eu já fui feliz pra sempre. Dentro daquele momento.
Fui feliz pra sempre condensado naquele pedaço de vida.
Agora, preciso dar conta de conquistar outras coisas.
Nada me trará o feliz para sempre de novo.
Nada me trará o feliz para sempre de novo.
Já foi.
E isso não é uma dor. É um alívio.
Um alívio imenso da construção cultural.
Ser feliz pra sempre? Ok, já fui, e agora.
Dar conta de mim é bem mais complexo que isso.
Há um mundo inteiro que independe do meu feliz pra sempre.
Se eu gostaria que tivesse durado mais?
Talvez, mas o pra sempre não tem medida.
É irreal, impessoal e passageiro.
O que importa é que o feliz pra sempre que existiu
foi o melhor que poderia ter existido.
"Eles foram felizes para sempre."
E depois foram atrás de outras coisas.
E depois foram atrás de outras coisas.
domingo, 12 de janeiro de 2020
Quando você decidiu ir embora...
...muita coisa mudou.
Nicolas ficou sem pai. Arnaldo sem seu companheiro de passeio.
Dvds passaram a juntar poeira em cima da estante, pois não foram mais assistidos.
Os cafés da manhã nunca mais foram tão caprichados pra ninguém.
A roupa de cama permanece a mesma. As toalhas são as mesmas. Panos de prato também.
Nicolas ficou sem pai. Arnaldo sem seu companheiro de passeio.
Dvds passaram a juntar poeira em cima da estante, pois não foram mais assistidos.
Os cafés da manhã nunca mais foram tão caprichados pra ninguém.
A roupa de cama permanece a mesma. As toalhas são as mesmas. Panos de prato também.
As roupas ficaram quarando na sacada.
Os filmes de super-heróis foram sendo lançados, mas não foram assistidos.
Nem músicas pop tocaram mais na tv.
Nenhuma pizza chegou na encomenda, nenhum carnaval foi novamente comentado, nenhum show foi reprisado, nenhuma aula foi preparada.
Não houve mais banho de madrugada. Ou conversas sob a janela salpicada de gotas de chuva.
Ninguém tira soneca a tarde.
As fotos do casamento se dissolveram todas. Não há mais registros de nenhuma coreografia.
O vídeo se dissolveu na nota final do violino tocando uma de suas músicas preferidas.
Uma Lu não se lembrará. A outra não conseguirá esquecer.
Ninguém aqui escreve com letra tão bonita.
A Academia nunca mais foi vista.
N'algum lugar talvez tudo isso ainda aconteça. Na sua nova praça, na sua nova rotina. Nos seus novos ninhos.
Aqui, tudo mudou.
Pois o que era repleto de risadas, as alterações pelos dramas da vida,
os Natais que eram cerimoniosos,
os aniversário que eram desastrosos,
os sonhos que eram vivos
os medos que eram todos
até mesmo as juras feitas...
Tudo sumiu.
Para dar espaço à um grande e silencioso vazio.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
100 anos
Eu vou acordar em algumas horas
e terei te visto
pela última vez
não acho que seus
passos te levarão à mim
nem os meus de volta
à você
portanto queria
propor
100 anos e um grande
amor
compilados em poucos
dias sóbrios
matando uma saudade
nunca vista
de um desejo nunca
vivido
com começo meio e fim
para então o sol
nascer de novo
no dia após o sim
e cada um voltar a
seguir
o caminho torto que
sobrou para si.
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
A escuridão mais azul
A janela pra tua alma
é um frio e delicado azul
é um frio e delicado azul
escuridão de quem pede
sussurra, mente
deseja sem poder
corre querendo ficar
brinca tentando dizer
azul é a escuridão imensa
do teu procurar.
Sorte dela
que a escuridão
ostentada na minha janela
te confunde e não te entrega
te é cúmplice, mas não te deixa
na ausência de luz, você duvida
mas na parte mais sofrida
estamos no mesmo lugar.
Se o azul deitar na minha janela
e você deixar
por tempo demais
quem sabe então assim
quem sabe então assim
algo derramará em mim
liberdade de monstros do mar
de janelas abertas enfim.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Olhar você
Eu vou te encontrar.
Em toda esquina, em todo bar.
Eu vou te perceber.
Em toda esquina, em todo bar.
Até ter respondido, vou te ver.
Em todo olho verde ou preto
Amendoado ou vermelho de ser
Eu vou te enxergar.
Em cada riff, em cada suspirar,
Em cada riff, em cada suspirar,
Em cada colo teso e aterrorizado
Todo envolto em palavras grossas
Todo envolto em palavras grossas
Como se chorasse sem lágrimas
A raiva contida entregando sua solidão.
Eu vou te perceber.
Em toda amizade boa de se viver.
Em toda cumplicidade de criança,
menino jovem
Espaços entre as curvas
Os banhos de chuva.
Até ter entendido, vou te perceber.
Que sonho e pesadelo são vistos
Sob a marquise de achar
Que ninguém te ama, só a solidão.
Eu vou te enxergar.
Em toda resposta negativa que vier a ser.
Em todo silêncio que não quis me dizer.
Em todo hotel contido num silêncio mortal.
Ouvindo os amantes se afogarem
no sonho e pesadelo de se amarem.
Eu vou te enxergar no novo, no velho
No delito, no flagelo,
no sorriso roto do amedrontado
naquele que não veio, naquele que já foi
naquele que não consegue sorrir de volta
naquele que não consegue sorrir de volta
naquele que só sorri de volta, mas não entende
naquele que procura alguém
que o entenda e o enxergue
e o perceba e o encontre
em sua própria solidão.
em sua própria solidão.
Até te achar de verdade, eu vou olhar apenas você.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
Resplandecente
Da noite pro dia, virei testemunha
tenho medo real de ter que depor,
afinal de contas, vi algo incrível,
tenho medo até de te entregar
Vi você de um jeito que temo em dizer
Fico feliz em saber que nada sofri
Foi de repente, nem sei como escapei
das garras retráteis e firmes daquilo que estava li.
Te vi perder a linha, cada segundo mais
Louco, desvairado, esperando na esquina
O garoto que sonha acordado empurrou pra longe
O homem que pensa em demasia e fez-se de luz
Quem diria que haveria então,
tão doce e rico som que esperava cansado,
veio jorrando do fundo do âmago,
do recôncavo mais escondido no todo,
veio carregado de liberdade e de sonho
que quase achei que fosse um escândalo.
As travas que ora te puxam,
seguram, escurecem teus olhos,
irritam sua voz, perturbam seu sono,
as travas se assustaram e pegaram seu rumo
por minutos poucos para que viesse à tona
riso, maratona, alguém louco em si.
Te vi gargalhar e foi melhor do que quis.
Te vi ser feliz e quis ser também.
Riu de mim, pra mim e comigo
Vestiu-se de mim, amigo e amante
Querendo espreitar o que mais pudesse rasgar
Na seda tão falha do meu estender
as mãos calejadas pra te aguardar.
Vem, meu amigo, amado, amante
Nem sou contigo para então ser seresta
Mas posso ser teu riso contínuo e mesa tão certa
Você devia sorrir com frequência
gargalhar todo dia enche a sala de luz.
Você resplandece num dia comum,
transforma a sala, o chão, paredes e mais
Abre caminhos teus, enche os olhos meus
deixa pra trás o que não era pra ter sido jamais.
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