domingo, 3 de novembro de 2013

Alguém [7]

Alguém que nasceu no mesmo dia que você, leu os mesmos livros e foi aos mesmos shows que você.
Alguém que nunca disse estar apaixonado.
Alguém que definhou enquanto você nem via.

Alguém que morreu contigo.

Alguém [6]

Alguém de cabelos compridos.
Alguém que te roubou uma vez e deixou um sabor maravilhoso em sua boca.
Alguém que você nem sabe quem é, mas você quer conhecer melhor.

Alguém que, em tempos de falta de tudo, se tornou especial.

Alguém [5]

Alguém que não te percebe.
Alguém que se protege no silêncio.
Alguém morto por dentro.

Alguém pra ser resgatado.

Alguém [4]

Alguém que se anuncia quando está entrando no recinto.
Alguém que permanece em você como cheiro.
Alguém cujo cheiro doce mais parece uma profecia, um aviso, uma música de Chico Buarque.

Alguém que está tão perto e, mesmo assim, você quer mais.

Alguém [3]

Alguém que se encaixa perfeitamente nas tuas medidas, nas tuas roupas, no teu espaçamento do banco do carro, na tua aliança.
Alguém que usa as mesmas expressões que você, acentua errado e põe as vírgulas nos momentos mais decisivos e comprometedores.
Alguém que te abraça e não te solta.

Alguém que você abraça e não quer soltar.

Alguém [2]

Alguém poeta da dor cuja voz se perde nas melodias mais rasgadas e viscerais do rock.
Alguém que potencializa teu momento com adrenalina.
Alguém que te põe a chorar e ao desesperar.

Alguém que simplesmente te consome e incinera.

Alguém [1]

Alguém que abrace tua estranheza e não te solte até terminar a tempestade.
Alguém que é louco o suficiente pra te provocar e permanecer depois para colher os efeitos.
Alguém que inebria, entontece.

Alguém assim, fascinante.