Ficaram as dores no peito, no dente
Tentei negar, enfureci
Me pus a barganhar, me isolei
Mas, nunca, por fim, aceitei.
Restou só um estanque de mim
Uma roda que não gira
Um carrossel sem cor.
A poesia permanece para sempre. É o mistério transcendental da palavra.
Essa minha pele veste tão bem
os afetos vaidosos de meu amor
Alto e elevado, leve, doce e sublimado
Quem é o rei e que roupa ele veste?
Sentado em seu trono, erguendo seu cetro
Bobo da corte sem derme e sem rosto
faz graça e lambe seu chão
e por onde passa é lá que ele se faz monarca
Dono de tudo e de todos que se adiantaram.
Essa minha pele gasta não veste mais meu rei
meu sol, meu sul, minha estrela azul
Descarta o robe que carrega minha carne
E o esquece sob o sol e que tudo se lasque!
O trabalho já está feito.
Meu rei jamais desceria de seu pedestal.
E agora?
Luzes acesas, sem mais aplauso
O que faço eu agora jogado ao acaso?
Medo e silêncio,
Gelo e distância,
Me antecipei e na covardia e na ânsia
desfiz todo meu rosto
todo meu corpo
todo meu ser.
E agora que não posso mais querer?
Nenhuma música virando poesia
Nenhuma nota coroando a estripulia
Fogo e saudade,
Peito aberto sem piedade.
E agora que o caminho de se perder é
o mesmo que me trouxe aqui
sem feito sem afeto sem eu mesmo sem teto.
e agora, faço o que de mim?
Me abrace todo dia
Deixe escapar um beijo no meu rosto.
Às vezes, pouse sua mão sobre a minha
e a deixe lá.
Quero teu carinho.
Coloque sua mão sobre minha perna
deite sua cabeça no meu ombro.
Não precisa dizer nada.
Apenas sinta que eu e você
Trocamos carinho
Aproxime teu corpo do meu
E deixe que o amor fale mais alto.